Quando escorregou e caiu já se sentia um babaca
desde o começo que entrou no mundo
podia ver tudo, ou quase nada
na verdade, era cego
não completamente cego
tinha dias que acordava vendo tudo
gritava: "oh my go!"
"oh my fucking dear god!"
"fuck me Alex, fuck me!"
"you have to turn me on, dead man"
***
No centro daquela fenda, um prazer
um tanto quando obscuro
mas tudo muito claro
tudo imutável, inflexivel
estável, por isso, falso
o morno e sóbrio trilhar
foi calmo
a situação não havia sido problemática, afinal
havia sido apenas racional
***
Consumi toda sorte
em copos virados sem engasgar
o líquido lhe decia como um suspiro
sentia a conexão, percebia o complexo prazer
dava o corpo duro, numa resignação
os músculos, como uma pedra
se excitaram
mas preferiam não se tocar
era um contrato de azar.
***
Era grande e verde
já meio receoso, furtiguei-o
com tapinhas no papo
risadas para todo o lado
tímidas
como crianças
tudo apontava : "a natureza é...
é nada mias que grande
e verde
***
Falando espanhol como identidade nacional
estampado um bigode mexicano
a navalha estava afiada
e o homem gritava asneiras
jogadas no ar como um nada
como assim?
como mais nada vai partir
***
Os chinelos azuis estavam molhados
assim, salgados
os seios com gosto de mar
que na imensidão de seu desejo imenso
que de tão infinito era quase igual ao vazio
mas chegou ao fim
***
Será que serei capaz de voar?
provavelmente não
quem sabe?
eu não sei
... depois descubro
quem diria que seria tão difícil
só dor, de parto de luz
e de escuro também
consumo de todo
toda a voz
***
E foram passando, a seguir seu alvo
cantou a mais vazia canção
cantou a silêncio, e assim ficou
uma canção sem sim, sem harmonia, sem rítmo
sequer começava
acabava de entender o mundo
no segundo em que acenei pelos ombros
***
O pessoal na multidão
subi a cabeça para respirar
respirei tudo que podia,
pois era certo
que logo mais faltaria ar
decerto - deserto- faltou
faltou escrúpulos para destinguir o caminho
escolhi a direita
sabia que havia de procurar um sentido
quando finalmente o achou
deixou de lado e dormiu
em seu infinito particular
***
Os pés descalços tateavam o chão
trote dos cavalos, meu pés
barulhentos, sem sessar
contínuo, turbulento
como ondas a ir e voltar
via, a sua volta, o mundo
num tormento imenso
laço entre a morte
a cada dia mais perto
do final.
***
A cadeira vermelha na casa vermelha
cempletamente suja de sangue
satisfeita. fazia, ao ver, uma imagem doentia
lembrava sua mãe
e de longe seu cachorro
três patas só. Muita sarna
trinta e duas pintas
dezesseis pretas
e pouquíssima que diferiam a cor.
***
Parem todos de chorar pelos cantos!
os cantos já estão alagados
batia os pés na água que me cercava
fazia uma meleca
sentia que seu movimento havia sincronizado com o resto
e agora atingira o sublime
queria dizer mas não podia
estão não disse nada e chorou baixinho pelos cantos.
***
Tirando isso, tudo bem
estava calmo, mas esse pequeno particular
ainda me preocupava
era como o rabo do problema
quente e latejante, que ia e voltava
minha mãe gostava
pulsava o sentido maternal
que via na mulher que me criou
na progenitora
meu sexo refletia e o desejo
Ah! o desejo.
subia por minha pernas
mas tirando isso, tudo bem.
***
Havia sempre o seu próprio pensamento
vago e ilinear, confuso de tanto
conselho, lento tormento
um cutucão
odeio que me encostem
te sugeram alguma coisa?
não te leva a nada
nunca mias, nada mais.
***
Não saberia ser uma mulher
os olhares mal entendidos
que incompreendidos, decidem não se olhar
quebram o gelo.
Uma porrada forte
a barriga amassou, o bebê morreu.
mas não houve dor
pois a dor não é nada mais do que crescer.
***
Chamava em tormenta.
Gritava meu nome entre seus suspiros
meu nome não era digno disso
sequer eu mesmo valia isso
valia apenas minhas aulas
a cada dia mais densas
tendendo para um lado
um pouquinho mais do que para o outro
não havia mais o que dizer
apenas empurar toda a água para o ralo.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário