Fomos pegos de surpresa: pisaram no nosso calo. Apontaram-nos o vasto e magro dedo e disseram:
- Ao sexo somente sobra a ciência e a poesia. Não brinquem aqui de trenzinho ou cavalinho de madeira. Ao sexo só sobra a literatura e a filosofia. Os sexos vestem grossa roupa e sentam em círculo; discutem. Ao final entram em consenso e descansam no chão.
Eles estão enganados.
Aqui não se faz ciência. Aqui não se faz poesia. Deixamos o nosso sexo nos dominar.
Suspiramos e gritamos, todos nós, pelo nosso sexo. Não temos nunca o que já tivemos.
Nada sabemos, de tudo falamos, porém. Aqui não se faz mágica e tampouco amor.
Demos nome a tudo para podermos trabalhar, mas, aviso aos ouvintes, nada delas importa.
Misturamos o movimento dos pássaros ao movimento dos sexos.
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